O Linux é um sistema já de décadas, com uma idade parecida com o Windows, mas que agora pode ter um período de ascensão e irei explicar neste artigo o motivo.
O sistema do pinguim
Antes de tudo é de bom tom revisar o que é o Linux de verdade. Muito se sabe da existência dele, mas a sua definição exata não é muito conhecida pela massa, pois não é apenas um "Linux" que existe, como também tem diferenças dele para o Windows que é o que traz o significado dele como um sistema existente.
Linux não é exatamente o sistema operacional
O primeiro equívoco é não saber que o Linux não é realmente o sistema operacional, na verdade, Linux é o Kernel. Para quem não sabe kernel trata-se do coração do sistema operacional, ele quem vai ter o núcleo das funcionalidades para que o sistema funcione em seus conformes.
De forma simplista é possível compreender o Linux como a base, enquanto os sistemas que nomeamos como Linux são já as distribuições construídas com essa base em cima. Não é um problema real tratar, por exemplo, o Ubuntu como Linux entre outros sistemas, mas é bom ter essa noção para entender um diferencial.
Os inúmeros sabores de Linux
Sim, como se sabe tem muitos sistemas Linux, e justamente a explicação do kernel é a resposta para ter tanta variação.
Linux não é um sistema corporativo, não é uma proposta financeira para gerar planos de lucrabilidade cada vez maior, diferente do que acontece em outros sistemas, outros digo o Windows mais outros, pois muito se fala do Windows, mas criar um sistema de exclusividade apenas para o seu computador caríssimo faz parte disso, não é Apple? Mas o que isso traz de resultado final? É simples, o Linux é de código aberto, qualquer um pode ir e criar o seu próprio sistema Linux de graça, desde que possa gastar com muito esforço, claro.
Esse formato é o que deu origem a esse vasto ecossistema de Linux diferentes, dando permissividade para sistemas de diferentes filosofias. Você deseja algo focado para hackers? Vá de Arch Linux. Busca mais simplicidade e facilidade de uso? Mint. Precisa de performance em computadores lentos? Aí depende do quão fraco for o seu PC, mas geralmente o Debian já é mais que suficiente para ressuscitar um computador morto pelas exigências do Windows 11.
Por que o Linux andou tão ofuscado?
Agora que temos um entendimento resumido do Linux, pensamos nas mil maravilhas, vamos ir para os problemas e mostrar razões que mostra nossa realidade de hoje, um ecossistema onde o Windows é o dominante.
Vamos começar com a seguinte premissa: considerar realidades certeiras evitando ditos ideológicos, não por eu querer me posicionar a favor ou contra um sistema ou me dizer neutra, mas para buscar um informativo honesto e com o menor tom de viés aqui.
O império do capitalismo
Vamos começar pelo principal, quem tem dinheiro pode mais do que quem não tem, a Microsoft não apenas tornou-se uma potência com muitos recursos financeiros, mas com a capacidade de influência comercial muito grande. É fácil difundir um sistema com alto poder para muitas campanhas publicitárias, parcerias com gigantes da indústria, como a IBM, o que ajudou a alavancar a Microsoft muito para finalmente dominar com o Windows.
Apesar de muitas críticas a corporação, isso é, muitos processos e denúncias de estratégias imorais da Microsoft, é necessário elogiar a estratégia deles. A empresa traçou um plano de difundir o sistema deles ao mundo, para usuários de várias classes diferentes, conseguiram com êxito aplicar o plano seja por estratégia de marketing e pelo plano de seu produto bem feitos.
Concorrência monopolizante
Bem, ao direcionar o Windows como um monopólio pode até soar como um ataque, mas há uma lógica natural para defender essa questão. A computação no passado tinha muitas limitações, uma delas era falta de suporte a usabilidade de sistemas na web, como a carência de suporte a programas multiplataformas. Isso demandava uma necessidade ainda maior de fazer o programa direcionado para aonde vai mais vender.
Acredito que já esteja autointuitivo a compreensão aqui, se o Windows tem uma porcentagem colossal de usos, é senso comum empresas de software produzirem seus produtos para funcionar no Windows, eles querem vender para um sistema que tem clientes, o Linux não seria comercialmente interessante nem viável.
Falta do click click yes
Um padrão de facilidade de usuário que o Windows tem é o fundamento de resolver as coisas em alguns cliques. Isso é algo que pesa muito na usabilidade de um sistema, principalmente anos atrás onde o conhecimento de informática era mais precário, ser fácil de usar é regra até hoje na verdade.
O problema do Linux juntamente vem com essa carência, primeiro que o ecossistema Linux foi abraçado por pessoas que tinham mais interesse na área de informática, então isso já "cegava" um tanto a experiência de usuário para o leigo. Portanto queixas de usabilidade do Linux reinaram, como que iríamos usar um sistema que precisa ficar digitando linhas de comando em um terminal, onde no Windows era clica, clica e confirma?
Muitos sabores, mas pouca concentração
A Microsoft é uma companhia enorme, costuma ter poucos Windows a serem trabalhados por vez (quem achou que eu iria falar um por vez, não esquece que Windows antigos deveriam receber suporte, como também existem os Windows de servidores), então a equipe e a concentração para trabalhar nesse sistema operacional é tremenda.
Agora vamos para o Linux? Equipes open-source de muitas e muitas distribuições diferentes espalhadas. É claro que quantidade não é qualidade, a performance base do Linux geralmente sempre foi conhecida como superior ao Windows, como questões de segurança, mas desenvolver um sistema operacional é muito difícil.
Começa que o principal não foi realmente atendido, a questão de facilidade do usuário, um chamariz do marketing que bem, concordemos que Linux não tem esses recursos para uma baita campanha de divulgação. Com isso a atração ao Linux cai, pois ter muitos bons não significa um excelente também, além da questão de requerir atenção para os bugs e falhas que podem ocorrer, novamente, desenvolver um sistema operacional é difícil.
Por que o Linux está crescendo agora?
Basicamente os sistemas Linux tem ganhado uma repercussão maior na atualidade, como muitas pessoas passando a olhar com ele com outros olhos, não mais de um sistema difícil de usar, mas como oportunidades, além de que a Microsoft tem falhado muito com o seu sistema operacional atualmente, o que dá mais chances para um sistema que tem se aprimorado pouco a pouco brilhar.
Microsoft sabotando o próprio produto
A companhia do Windows tem cometido muitos erros ultimamente, tudo isso graças a ganância e ambições exageradas. Eles se viram como dominantes absolutos do mercado e passaram a se apossar muito do plano de marketing, e abrir mão demais de um plano de produto decente.
O histórico Windows XP é considerado um dos melhores sistemas de todos, ele era perfomático, simples, sem exageros ou "capitalices" que a empresa está tentando enfiar goela abaixo no consumidor final. Era bem complicado o Linux tomar domínio com uma concorrência desse calibre.
Mas olha hoje, o Windows 11 exige muito da máquina, sendo algo terrível para sistemas operacionais que querem funcionar na mão de toda classe de usuário. O sistema também pesa com tomadas de liberdade para dar uma tapa na cara do usuário que quer algumas liberdades até que simples. Não deixam desinstalar aplicativos não essenciais, como o navegador Edge, sendo que a maioria prefere outros navegadores, acaba ficando de enfeite na tela inicial.
Outra coisa que tem aborrecido muito os usuários é o fato da Microsoft ser uma das empresas tentando enfiar inteligência artificial em tudo, tiveram a ousadia de embutir a cortana no explorador de arquivos, é uma situação que deixa muita gente frustrada com o sistema. As críticas contra as atitudes da corporação só tem crescido.
Visto a alta insatisfação, o usuário médio olha para o sistema ao lado, sendo o Linux, com as melhorias que irei citar já, sendo gratuito, e sem essa vasta quantidade de jabutis no seu sistema, se torna uma atração maior.
A solução para a incompatibilidade
Um dos maiores nêmesis do Linux foi a incapacidade de rodar muitos programas do Windows no seu sistema, a solução foi criada, fazer rodar.
Explicando direito agora, foi criado o Wine, um sistema que serve para "adaptar" um cenário que faça as funcionalidades do Windows no seu Linux, isso é, se não tem um aplicativo que você busca que funciona no Windows, o plano foi fazer esse aplicativo funcionar diretamente no Linux.
Claro que há limitações mesmo com essa adaptação feita pelo Wine, um caso importante são os jogos, que trazia um grande desafio para adaptar tais complexidades para o sistema do pinguim. A não ser se uma empresa se juntou para construir um sistema de adaptação muito bem elaborado chamado Proton.
Bem, eu sou usuária de Linux, meu PC é gamer. Sim, caso você ainda não sabia disso, quase todos os jogos da minha biblioteca da Steam funciona normalmente graças ao Proton, são poucos casos que acaba não funcionando infelizmente. Não se trata de apenas jogos de décadas atrás, eu mesma consegui executar Arknights - Endfield no meu Linux na semana do lançamento, achei o jogo bom e lindo, pena que não tenho tempo mais para jogar gacha.
O império do capitalismo parte 2
Que o Linux é código aberto é verdade, mas quem disse que grandes corporações não podem o usar como até o abraçar como carro chefe? Pois bem, leitores atentos devem estar se perguntando quem foi a empresa que criou o Proton. Darei o nome, é a Valve. Eles fizeram essa trabalheira toda por um objetivo: Ter um lugar para criarem os sistemas deles.
A Valve anda investindo fortemente na área de jogos, mas não apenas como antigamente que era ter uma loja para empresas venderem seus próprios jogos. Eles estão criando video-games completos, e nisso eles criaram um sistema operacional para tais, o SteamOS. Portanto, eu mesma tenho que agradecer uma corporação bilionária pelo Proton, porque isso melhorou muito a minha vida como gamer do Linux, ainda mais que o Proton não é código fechado, a corporação buscou criar esse projeto em código aberto, o que ainda é um atrativo forte para desenvolvedores voluntários se aliarem a causa e fortalecer mais o Proton em si.
Não se limitando a Valve, o Linux se tornou alvo de fabricantes de Notebooks que querem vender máquinas de baixa renda, mas que simplesmente fica difícil colocar um sistema pesado como o Windows nestes, mas para agregar o Linux é de graça, já o Windows vai ter a cobrança de licença por cada computador que a empresa vai vender, o capitalismo visa o Lucro. Como o Linux está se tornando até mais viável em vários casos de usos para computadores de baixa renda, empresários acabam vendo o pinguim em suas novas notas de dinheiro para seus respectivos bolsos.
E para quem achou que o Linux seria uma completa luta contra o capitalismo, bem, errou.
A consolidação do pinguim
No passado havia falta de informação para a área de informática, mas isso tem cada vez mais se tornado passado. O acesso a informação tem aumentado, o público médio tem conseguido usar o computador cada vez mais, como também informações sobre como se usar o próprio Linux tem aumentado muito.
É claro, não é como se distribuições do Linux não estariam fazendo a lição de casa. O trabalho em aprimorar a experiência de usuário tem crescido bastante com o tempo, isso torna um atrativo cada vez maior por tirar barreiras que muitos ainda acham que existem, quando elas têm caído por terra cada vez mais.
Inclusive um caso pessoal, aqui em casa temos vários computadores, tendo um notebook de uso para a minha mãe instalado em Mint, no início ela achava até chato o sistema em si, mas com o tempo ela passou a nem perceber a diferença a ponto de parecer que estava usando um Windows normalmente, coisa que seria muito estranho de acontecer décadas atrás.
E também fica de consideração a consolidação de alguns dos sabores em específico do Linux, elas têm anos de desenvolvimento, anos de testes e de usos, torna o seu uso cada vez mais consistente, estável e um porto mais seguro de novos tripulantes chegarem. Inclusive a massificação do Linux pode estar em seu verdadeiro início, mas em nichos, como a área de desenvolvimento, o sistema é uma realidade muito sólida. Para quem está duvidando clica aqui para ver o resultado de uma enquete que eu fiz.
Por fim, um futuro promissor
É gente, o momento está chegando, a conversão de usuários de Windows para Linux tem se tornado uma realidade e essa tendência poderá crescer ainda mais. Não escrevo esse artigo como uma "pregação" da palavra do pinguim, no entanto um informativo honesto e importante para entusiastas de tecnologia. O Linux já está aí no nosso mercado como uma realidade, e fatos mostram que essa realidade só tende a crescer.